Foi um grande jogador de futebol, dizem as enciclopédias nativas do desporto rei.
Pois foi a alcunha atribuída ao Ti Silvestre Pote, pelos meus conterrâneos glorianos, provavelmente, mais pelo seu gosto do que pelo seu talento prático no jogo da bola.
Acompanhei-o no sábado à sua última morada, com saudade e com respeito pelos tempos em que debutava, com quinze anos acabados de fazer, na equipa de futebol salão que levava o sugestivo nome "Os Panteras" (Não confundir com a equipa do Major!) treinada pelo saudoso Ti Silvestre "Travassos".
Ti Silvestre mandava-nos ir "para cima deles" e eu, com pouco mais de um metro e meio, e com pouco mais de trinta quilos, nunca levei, por razões esquelético-musculares, aquelas indicações a peito. Ficava o incentivo. Ganhavamos jogos e perdíamos outros naqueles finais de setenta, inícios de oitenta, em que o mundo parecia ser um sítio melhor para viver.
Numa altura em que se faziam torneios com cerca de trinta equipas e em que, literalmente, uma parte da população máscula fazia alegremente chiar sapatilhas de trapo "Sanjo" no cimento do ringue polidesportivo, construído numa época em que se acreditava e se realizavam (!) utopias: o ringue tinha sido construído colectivamente pela população.
Lembro-me de ir buscar, com os meus companheiros da bola, às costas, a vedação metálica às oficinas da RARET, em alegre passeio nocturno, de mais de dois kilómetros, debaixo de um luar inesquecível, entre os cheiros a esteva e a rosmaninho.
Hoje, já quase ninguém se move por grandes ou até mesmo por pequenas causas colectivas. É pena.
Algures, num país pobre das caraíbas, a face implacável da natureza deu-se mais uma vez a conhecer. Negros esbranquiçados pelo pó, mortos aos milhares, amontoados pelas ruas numa visão contemporânea dos campos de extermínio nazis.
Uns dias antes, a terra tinha tremido em Portugal numa madrugada do último Dezembro. Acordado àquela hora tardia assustei-me com a tremideira, por mais ligeira que tivesse sido. O que mais me impressionou até nem foi a trepidação. Quando vivi no nº 537 da Rua da Alegria da cidade invicta, num vetusto casarão transformado em residência universitária, todo aquele edifício tremia com a passagem do autocarro 20 dos STCP e demorei uns bons meses a habituar-me àquilo.
O que mais me impressionou em Dezembro foi o som emanado pelo fenómeno, uma espécie de trovão, seco e abafado vindo das entranhas da terra.
Soou a aviso. E da mesma forma como o tremor de terra de Lisboa impressionou a intelectualidade europeia dos finais do século XVIII, este também deveria, em princípio...provocar o mesmo efeito. Em particular, sublinhando a pequenez do homem perante forças que lhe são infinitamente superiores. Mas tal não aconteceu. Este homo que transitou do século passado para o novo século acha que nada o derrota...Nem os trovões vindos de cima, nem os que vêm de baixo. Para a maioria destes mortais, supostamente invenciveis, é apenas uma questão de sons graves. E o melhor é mesmo tapar os ouvidos
O peixinho vermelho oferecido pelo primo Francisco já se foi. E já que estamos no vermelho, até o Benfica dá ares de também se "ir" antes do Natal. (Esperemos até dia 20)
Desconfiamos da água nova, da torneira, com que renovamos o habitat. Muita "lixívia"...ou cloro ou qualquer outro químico...daquilo que cada vez pagamos mais caro e que se vai tornar no negócio do século. Cai de borla lá do céu, vende-se, tendencialmente, a peso de ouro cá na terra. Melhor negócio não há.
O peso de uma catedral (Parte I)
O escritor francês Antoine de Saint-Exupery disse um dia que não dizemos nada de interessante sobre uma catedral se só falarmos de pedras.
Uma catedral, em especial, se tiver sido construída na idade média é um edificio notável, a todos os títulos. Quer na carga simbólica que tem, quer no arrojo de engenharia de que é, para mim, exemplo máximo (sim na idade média, a tal idade das trevas, havia uma engenharia de construção absolutamente espantosa).
O peso de uma catedral (Parte II)
Ontem, o execrável PM italiano levou literalmente com uma catedral em cima. Uma catedral em miniatura, recuerdo de turista. Foi a sua sorte. Depois de passar largos anos a vilipendiar e a insultar um sem número de pessoas decentes (nem o presidente Obama escapou, o "tal rapaz muito bronzeado", lembram-se!) soltando impropérios ao ritmo frenético de um motor Ferrari, em alta rotação, Silvio, que se considera o "uomo piu bello" de Itália, ficou com as trombas numa miséria, a julgar pelas imagens que a televisão levou a todo o mundo.
Espontaneamente, a turba mostrou a sua satisfação, e mais de 40 mil internautas aplaudiram o feito de um louco qualquer que lá teve os seus 15 minutos de fama.
No que me toca, tive pena da criatura, encafuada na limousine. Jamais esquecerei o seu ar de animal acossado, impotente, terrivelmente assustado, tentanto perceber o que lhe tinha acontecido.
Teria preferido que tivesse levado um valente sopapo, com "aviso prévio", como mandam as regras de cavalaria, daqueles dados com punho carnudo fechado e potência de locomotiva. Isso sim, teria sido mais romântico.
Agora, atirar-lhe com uma catedral. Santo Deus, a catedral merece mais respeito.
Ora aí está a época...a tal do Natal
das compras, umas com sentido, outras.... (a maioria) sem sentido.
A minha pequenota fez seis anos e já teve uma espécie de Natal antecipado. Uma revoada de crianças remoinhou violentamente nos 136 metros quadrado do meu apartamento durante "intermináveis" horas. Os pais tiveram direito a um alívio pontual. A arquitectura apertada sobreviveu, mais ou menos incólume, (umas mãozadas de mousse na parede, do tipo pintura rupestre, palminhas bem abertas, coisa pouca face ao costume). Um ligeiro melaço no chão, o "tchak", a colar a sola dos sapatos, a esfregona...etc.
Sopro no bolo, com a inevitável bonecada em papel comestível, que alguém gosta sempre de comer. As prendas que transformam sempre os(as) aniversariantes em pequenos reis de circunstância.
Barbies e cabelos loiros de barbies, jazem pelo chão...abandonados à indiferença infantil, saciada. A prenda do primo Francisco: um peixe real num aquário azul fez a delícia da pequena. Um indício de gosto natural. Fico mais feliz do que ela.
O peixe vai ter uma vida de Lord, se não morrer de fartura ou congestão.
Ainda temos que dar um nome ao bichano.
A meio da festa tive que deitar dois sacos bem cheios de papéis de embrulho, fitas, embalagens...no contentor da rua.
Pensei nas inúmeras crianças que não têm com "que" brincar, e com "quem" brincar, naquelas que inventam os seus próprios brinquedos e naquelas que nem sequer chegam a viver o suficiente para poderem brincar. O mundo é um sítio lixado e nós pouco fazemos para o mudar, a não ser termos alguns rebates de consciência para uma mudança que achamos necessária. O que já é alguma coisa, mas não é tudo.
PS: A latinha da "papa" do peixe já está em lugar seguro, fora do alcance antropométrico infantil. Pois!
Link que toca no tema do hiperconsumo
http://www.youtube.com/watch?v=nhxf2Xg4xGc
Estreei, por fim, a nova aerogare da cidade condal.
Cheguei stressado a correr e nem cheguei a apreciar devidamente a obra.
Enquanto discutimos se fazemos ou não, "nosaltres amics catalans" fazem mesmo.
Regresso agora com mais calma, sempre muito adiantado ao tempo, não vá o diabo tecê-las.
"Voo para Lisboa, porta B52", nome de música, óptimo para recordar.
Deslizo a maleta pelo chão de impecável granito claro, depois de me assaltarem a carteira, com 5 euros e trinta cents por uma água mineral de 1/4 de litro e uma sanduiche, a saber a guardanapo. Sento-me nas cadeiras cinza e, no meu diário gráfico, traço uns riscos de um Airbus, lá fora, com uma peculiar decoração de cauda às bolinhas cor de cinza.
18h15, um gupo de turistas, asiáticos, chega pela dita porta, ar cansado, muitas horas de voo, seguramente. Dóceis e disciplinados, como sempre. Imagem de marca.
Acto contínuo, o da frente, num gesto de liderança, vira-se para a fila e saca de uma protecção de rosto. O grupo repete o gesto e passa ordeira e pateticamente. Mascarados, nesta Europa crescentemente esquizofrénica.
Uma das senhoras referidas do meu piropo, bem-intencionado diga-se de passagem, do post de 17 de Julho, é agora a ministra da cultura...critérios socráticos...muito "refinados", é o que eu acho.
Esperamos todos que faça melhor trabalho do que o seu antecedente, do qual já ninguém se lembra o nome, o que é sempre um mau sinal. Tinha um ar de banqueiro...sim, isso tinha.
Entalado pela crise e... ... por duas eleições, o tema de hoje é o voto.
Esta conheço-a há já alguns anos, vem no Dicionário do Diabo (nome sugestivo!) de Amboise Pierce e sempre a achei terrívelmente premonitória, para mal dos nossos pecados. Diz mais ou menos assim:
(Definição de Voto): "Faculdade que o homem livre tem de fazer de si próprio um tonto e do seu país uma ruína".
. Revistas Virtuais de Educação, Cultura e Artes Visuais
. Revista redvisual (en castellano)
. Revista Agulha (em português)
. Sisifo: Revista de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa
. contrast (gratuita, em português)
. Blogs e Sites situados na mesma área
. Blog do pintor Manuel Casa Branca
. Album temático de fotografia digital
. Um criativo filme de animação a partir da música "Dreams in Colour" do David Fonseca
. Web Sites e docs de Pensamento Crítico
. Jornal On Line "A Página da Educação"
. Acontecimentos
. Conferência Internacional de tecnologia e Arte em Bilbau
. Congresso Ibero-americano de Educação Artística
. Congresso Internacional de Inovação Social na Fundação Gulbenkian
. Congresso da International Society of Education Through the Arts
. Listagem de eventos que têm a mania de
. Festival de Videoarte de Barcelona
. Optica 2008 Festival de Vídeo Arte de Gijón - 6 a 8 de Novembro
. Festival de Artes Digitais das Ilhas Canárias
. eBent'09 Encontre Internacional de fets performàtics 18-27 Novembro 2009
. Acção Artística e Participação Social
. Art and Social Action in Cambodia: Transforming Students into World Citizens
. Didácticas e práticas
. Proposta de critérios para a avaliação de sítios Web com interesse educativo
. Organizações e Associações
. National Art Educators Association (Norte-americana)
. Arts Education Partnership (AEP)
. Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual
. Clube de Contadores de Histórias
. Portal da Universidade Internacional da Andaluzia
. Excentricidades concêntricas
. Para ver motas antigas em perfil …por sinal bem bonitas.
. Escolas com vida