Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

So long Robert

 

Morreu ontem, aos 82 anos e idade, Robert Rauschenberg (RR) artista plástico norte americano (N 22 Out. 1925 Port Arthur/Texas + 12 Mai. 2008 Florida). RR foi uma referência importante na minha vida de estudante de Belas Artes nos idos oitenta, na taciturna e orgulhosa cidade invicta. Na biblioteca da ESBAP (hoje FBAUP) imerso nas razoáveis colecções e álbuns de arte contemporânea, passei longas tardes aperfeiçoando o olho e alimentando a mente com as imagens de RR, Andy Warhol, Roy Liechtenstein, Robert Motherwell e outros que, então, a vida cultural do país e da cidade não conseguia fazer passar por cá ao vivo. O Museu de Serralves só veio colmatar essa falta depois, já quase na despedida penosa da cidade, dos amigos e das rotinas estudantis.
 
Tive já a sorte e o privilégio de ver os seus trabalhos ao vivo, uma vez que são, na sua maioria, bastante texturados, e até mesmo absolutamente tridimensionais, pois RR situou a sua prática artística mais relevante num meio caminho entre a pintura e a escultura-assemblage. Daí que a fotografia de catálogos e livros fazem “perder” uma boa parte das sensações visuais, tácteis e compositivas que tornam o seu projecto e percurso artístico deveras peculiar e que só ao vivo podem ser devidamente apreciados.
 
Em 1998, o Museu Guggenheim, fez-lhe uma merecida retrospectiva em Nova Iorque e a exposição, em itinerância global, como agora é moda, chegou a Barcelona em 1999 ou 2000 (?) (Fundació Lacaixa, creio?) onde então continuava os meus estudos na Facultat de Belles Arts. Deliciei-me então nessa exposição memorável, onde fui várias vezes, anotar o comportamento dos adolescentes (visitas das escolas) perante as obras pois fazia parte da absorvente investigação que então desenvolvia.
 Recentemente, tive a ocasião de me “raspar” da conferência Nacional de Educação Artística, no mesmo Porto, para ver, mais uma vez, a sua exposição, a derradeira feita em vida, no Museu de Serralves, onde o artista aliás compareceu bastante debilitado acompanhado inclusivé por uma equipa médica.
 
 Descendente de índios Cherokee, por via da avó (“full blood cherokee native american indian”) há semelhanças biográficas curiosas entre RR e outros artistas importantes da história da arte contemporânea.
Tal como Vicent Van Gogh, criado num meio fundamentalista cristão, esteve num primeiro momento destinado a uma carreira religiosa de pastor (desistiu por não lhe permitir a dançar!) e tal como Vincent chegou já muito tarde ao mundo das artes visuais (só depois cumprir o serviço militar na marinha).
 
A fama e consolidação do seu trabalho artístico chegou em 1964 quando foi premiado na bienal de Veneza, que então, como agora, constituía um evento legitimador e “lançador” (para o bem e par o mal) de carreiras no mundo das artes visuais.
 
 
 
 
Mas o que ainda muito antes da sua consagração em Veneza lhe trouxe notoriedade e fama foram as suas «combinações» de objectos tridimensionais com tinta e objectos da daily life quotidiana, muitas vezes recolhidos nos contentores do lixo, as famosas "combine paintings", que vieram a criar um estilo, hoje "clássico" porque repetido. Nos anos 60, em resposta aos seus colegas da pop, em particular ao incontornável e hipermediático Andy Warhol, começou a incluir imagens nos seus trabalhos, incluindo fotografias de John F. Kennedy impressas utilizando a técnica de serigrafia sobre a tela tradicional de pintura

 

 

 

 

RAUSCHENBERG, Robert
Retroactive I
1964
Pintura a óleo e serigrafia sobre tela
84 x 60 in. (213.4 x 152.4 cm)
Wadsworth Athenuem, Hartford, Connecticut


publicado por ensinartes às 02:12
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