Segunda-feira, 31 de Março de 2008

LIÇÃO 10 O "Lugar" das Artes no currículo

O posicionamento das artes no currículo escolar simboliza para

o jovem aquilo que o adulto considera importante

 

O currículo escolar conforma o raciocínio de uma criança; é um dispositivo

que altera (pode alterar) a mente. Simboliza (e procura circunscrever) todo o

conhecimento que os adultos acreditam ser mais importante para os jovens,

aquilo que se considera mais importante para se ser melhor. Diz ao jovem

que competências humanas devem ser possuídas. Permite às crianças,

(ou impede), um conjunto de oportunidades para aprender a pensar de

determinadas maneiras.

 

O valor de um objecto de estudo não está apenas correlacionado com a

sua presença no currículo; também é uma função da quantidade de tempo

que uma escola devota a esse estudo. De facto, a relevância de um dado

campo de estudo não se encontra nos testemunhos dos planificadores

escolares, mas (pragmaticamente) na quantidade de tempo que esse campo

de estudo recebe; e se na escola esse campo de estudo é ensinado diária

ou semanalmente.

Se a estas considerações adicionarmos as relações entre o que é

testado e o que é considerado importante, teremos então uma espécie

de guião para uma definição cabal do que é que efectivamente conta numa

escola (tradicional).

 

(Sabemos que o lugar das artes é ainda muito marginal e deficiente

no actual currículo escolar em Portugal. Há, portanto, um longo caminho a

percorrer, caminho esse que apenas só ainda se encontra no seu inicio…

uma caminhada faz-se dando um passo de cada vez...)


publicado por ensinartes às 19:26
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LIÇÃO 9 As artes permitem-nos aceder a experiências que não podemos contactar por qualquer outra via

Por intermédio do acesso a determinadas experiências, e por intermédio dessas

experiências, as artes permitem-nos descobrir um conjunto e uma variedade

de tudo aquilo que somos capazes de sentir.

 

Algumas obras de arte têm a capacidade de nos colocar num “outro mundo”.

Normalmente consideramos excitantes aqueles dias em que nos deixamos

conduzir  (e seduzir) por uma obra de arte. Tais experiências

estão muito afastadas do conhecimento armazenado que vemos

medianamente numa criança. Queremos ajudá-la como aprender

a ler – e a criar – tais imagens (ou performances). Em resumo,

queremos ajudá-la a adquirir as formas de literacia que lhe permitirão aceder

a tais obras de arte e ao gozo, prazer e proximidade que só elas tornam

possível.

Se isto é elitismo, então que expandamos a elite!

(Esta expressão não é minha é mesmo do Eisner, juro!)


publicado por ensinartes às 19:24
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LIÇÃO 8 As artes ajudam a criança a aprender a comunicar aquilo que não pode ser dito

Quando uma criança é convidada a definir o que é que sente a partir de

uma obra de arte, deverá ser considerada a sua capacidade poética de

encontrar as palavras que a ajudam nessa tarefa."Falar" de artes requer

a posse de algumas capacidades especiais àqueles que se dedicam a

esse trabalho. Pensemos, ainda que por um momento, acerca do que

nos é requerido para descrevermos as qualidades de um solo de jazz

saído do saxofone de John Coltrane, da superfície de uma pintura de

Bárbara Frankenthaler ou do carácter expressivo de um bronze de

Barbara Hepworth. O objectivo não é o de reproduzir em linguagem

as qualidades que estas obras possuem, porque essa "reprodução"

não é claramente possível. Trata-se antes de revelar, por intermédio

da linguagem, as qualidades da obra que são, elas próprias, inefáveis.

Portanto, o truque consiste em tentar comunicar o que não pode ser dito.

É aqui que podemos contar, entre os nossos maiores aliados, com a

intimação e a conotação. Também é aqui que a metáfora, a mais

poderosa das nossas capacidades linguísticas, pode vir em nossa ajuda.


publicado por ensinartes às 19:00
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LIÇÃO 7 As artes ensinam os alunos a pensar "por" intermédio e "com" um dado "material"

Todas as formas de arte empregam determinados meios pelos quais

as imagens se tornam reais. Na música utiliza-se o som organizado,

na dança o movimento expressivo de um bailarino em movimento,

nas artes visuais uma forma sobre uma tela, um bloco de granito,

uma chapa de aço ou de alumínio; no teatro uma mistura complexa

de discurso, movimento e expressão. Cada uma destas formas de arte

utiliza determinados materiais que se impõem sobre outros, adaptando-se

a um determinado conjunto de constrangimentos. Exigem certas

capacidades, ao mesmo tempo que também providenciam

um conjunto de possibilidades.

 

Os materiais oferecem oportunidades distintas.

Para ter consciência dessas oportunidades, a criança deve ser capaz

de converter um material num médium. Para que isto ocorra, a criança

deve aprender a pensar com as possibilidades e os constrangimentos

de um material e a aplicar as técnicas que tornam possível a conversão

de um material num médium. Portanto, um material não é o mesmo do

que um médium e viceversa.

O material é a substância, (no caso da dança e do teatro: o corpo e a voz,

no caso da música: o som) com que trabalhamos. O médium é algo que medeia.

O que é que se medeia?

As escolhas,

as decisões,

ideias (emoções)

e imagens que um individuo tem.

O problema para qualquer criança

consiste na escolha do material adequado e pensar com os

constrangimentos e as possibilidades desse material, (utilizando uma

técnica adequada) a forma que uma determinada imagem (ou sentimento)

precisa de ter.


publicado por ensinartes às 18:51
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LIÇÃO 6 As Artes visuais apontam ao detalhe

As artes ensinam os alunos a notarem que pequenas

diferenças podem produzir grandes efeitos

 

As artes relacionam-se com subtilezas. Dar atenção aos detalhes 

não é normalmente um modo de percepção dominante no decorrer do curso

normal das nossas vidas. Nós normalmente vemos mais no sentido de

“reconhecer” em vez de explorar todas as “nuances” de um dado campo visual.

Quantos de nós já observou realmente a fachada da nossa própria casa?

Julgo que muito poucos? Um teste consiste em desenhá-la. Tendemos

mais a olhar a nossa casa ou para a nossa casa no sentido de sabermos

quando chegamos, ou para verificamos se necessita de ser pintada ou

para sabermos se está alguém em casa. Já menos comum é facto de olharmos

 para as nossas casas no sentido de apreciarmos as suas qualidades visuais,

 bem como as relações estabelecidas entre si.


publicado por ensinartes às 02:26
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LIÇÃO 5 As palavras e os números não esgotam o que podemos saber sobre algo

As artes tornam presente o facto de que nem as palavras,

na sua forma literal, nem os números, esgotarem aquilo

que podemos saber sobre algo.

 

Dito de uma forma mais simples: os limites da nossa linguagem

não definem os limites da nossa cognição. A redução do conhecimento

ao quantificável e ao literal é, também, um preço alto que pagamos para

definirmos as condições do nosso conhecimento. O que chegamos a

conhecer por intermédio da literatura, da poesia e das artes,

em sentido lato, não são reduzidas apenas ao literal.


publicado por ensinartes às 02:12
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

LIÇÃO 4 As artes e a resolução de problemas

As artes ensinam às crianças que na resolução de formas complexas de problemas os objectivos raramente estão fixos à partida

Estes objectivos mudam com a circunstância e a oportunidade.

Aprender com as artes requer a capacidade e o desejo de

nos rendermos às possibilidades imprevisíveis do trabalho artístico

à medida que este emerge.

 

No seu melhor, o trabalho artístico não é um monólogo estabelecido

entre o artista e a sua obra, mas um diálogo.

É uma conversação com os materiais, pontuada com

todas as surpresas e incertezas que só uma conversação

realmente estimulante torna possível.

Nas artes o individuo procura a surpresa, que redefine

os objectivos que, por sua vez, se flexibilizam.

A intenção, mais do que imprimir num material aquilo

que já conhecemos, é a de descobrirmos aquilo

que ainda não sabemos.

 


publicado por ensinartes às 02:36
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LIÇÃO 3 As artes promovem múltiplas perspectivas

Um das suas lições mais importantes é a de que há muitas formas

de ver e de interpretar o mundo. Esta também é uma lição que

raramente é ensinada nas nossas escolas.

O teste de escolha múltipla (por exemplo) é um caminho

para se chegar a uma única resposta correcta. Isto é o que torna o teste

“objectivo”. Não é objectivo no método de selecção dos conteúdos

a avaliar, é objectivo devido à forma como cada item avaliativo

é pontuado. Não é permitido, a quem elabora a pontuação de

um teste, o exercício de juízo crítico, razão pela qual qualquer

máquina poderia elaborar um teste.


publicado por ensinartes às 02:31
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

LIÇÃO 2 : Os problemas podem ter mais do que uma solução

As artes ensinam as crianças de que os problemas podem ter mais

do que uma solução e que as questões podem ter mais do que

uma resposta.

 

Se "actuarem" (dentro da escola), as artes favorecem a obtenção de uma diversidade

de resultados.

A standardização das soluções e a uniformização das respostas não é

uma virtude a alcançar nas artes. Enquanto os professores de uma boa parte

das disciplinas currículares não estão interessados na promoção

da ingenuidade do aluno, o professor de arte persegue-a.


publicado por ensinartes às 02:31
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LIÇÃO 1 : As Artes ensinam as crianças a fazerem bons juízos acerca de relações qualitativas

As artes ensinam as crianças a fazerem bons juízos [judgments] acerca

de relações qualitativas.

Ao contrário da maioria do currículo, no qual prevalecem as respostas e as regras

consideradas correctas, nas artes é mais o juízo [judjement] que prevalece

sobre as regras.

Não pode ser negligenciado o modo como as qualidades inter-actuam, quer

pertençam a um espaço, ou a um som, à prosa ou à poesia, quer as vejamos num

movimento coreografado, a que chamamos dança, ou nas palavras e gestos

dos actores. São os meios pelos quais o trabalho artístico se torna expressivo.

 

O actual currículo escolar encontra-se pesadamente carregado com matérias que dão

aos alunos a ilusão de que o verdadeiro [rightness] significa o correcto [correctness] e,

desta forma, fazer as coisas correctas só depende do cumprimento da regra;

a oralidade, a aritmética e a escrita, tal como são normalmente ensinados, são

largamente miméticos ou sustentados por regras.

 

Não é o caso as artes. As artes procuram evidenciar-se na sua insistência de

que as “interacções” (entre o individuo e a matéria a que ele pode dar forma )

são centrais

e que aquelas que são boas são conseguidas quando a mente trabalha

ao serviço do sentimento.

 


publicado por ensinartes às 01:51
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